As vezes acho que os miolos ficam cozidos. Eles se esforçam bastante pra ir atrás de certas coisas.. Se é de todo bom ou ruim, não sei. Já questionei a validade de destroçar o mundo dentro da minha cabeça e posso afirmar de pés juntos que não cheguei a conclusão alguma que me fizesse parar de gastar tempo com as minhas baboseiras inteligíveis. Talvez seja esse o sentido que minha consciência saiba dar pra minha humanidade, mesmo ela entendendo que no fim sentido algum faz diferença. Senti tanto a vulnerabilidade de coisas que jurava ter controle que comecei a ver o movimento da vida no mundo como se fosse uma continuação dum big bang. Como todas essas coisas na natureza depois de um embalo de energia, a imprevisibilidade na previsibilidade. Tipo uma onda bem grande: a aleatoriedade daqueles zilhões de partículas sob a energia da água no fenômeno ondulatório. (Acho que não entendo mais nada além do abstrato, esse acho que entendo melhor hoje em dia. Se o concreto é relativo, imagina o abstrato. E só o abstrato faz sentido objetivo pra mim, então como conversar com pessoas e esperar que me entendam?)
Sobre a relatividade e a imprevisibilidade, essas rainhas do cosmos, considerá-las onipresentes (situacionasticamente falando) me fez melhorar algumas coisas. Admitir que elas abrangem tudo o que existe me fez entender minha insignificância e quase melhor do que isso, respeitar a insignificância dos outros. Falando assim soa meio pesado demais, mas acho - e posso estar errada- que a real leveza da vida parte da consciência de coisas pesadas como a nossa insignificância. To me referindo a um significado universal, de ser filho de deus e ter um livro místico exclusivo da sua história na terra, quando falo em ausência de significado. Ter em mente isso parece que traz humildade pra cabeça. E dai associando isso com a ideia de que a vida é aleatória e assim também são nossas descobertas a gente começa a aprender a valorizar e respeitar também o que não se conhece, tanto pessoas quanto coisas. O ego é perigoso demais, porque ao mesmo tempo que parece indispensável por fazer com que nós nos amemos como seres, ele orienta nossa cognição e a partir dai nosso comportameto. Dai olhar pros lados em filas/ônibus/rua e olhar com pobreza as pessoas que tão dividindo esse espaço com a gente, afinal "são desconhecidos provavelmente fodidos e sem graça já que a maioria do mundo parece assim". A humanidade sabe que não é nada, talvez por isso essa ânsia gigante de fazer da nossa microescala a absoluta e acreditar que nossa genialidade indivudual ocupa um espaço fundamental no mundo e, como nossa consciência só tem nossa organicicidade pra administrar nós nos tornamos bem egoístas. Mas secamente, vejo bilhões de pessoas num universo de zilhões de dimensões infinitas. A arte da vida é mais do que morrer e ser lembrado, do que ter um nome e uma história conhecida, A arte da vida é a diferença que escolhemos fazer sabendo que jamais seremos lembrados. É o rastro de humanidade que a gente tem capacidade de deixar pra trás. E por que? Tecnicamente acreditando num futuro da espécie, e se já estamos condenados, então tecnicamente é por nada. Dai entender que mesmo a gente se fodendo atrás de "conquistas e diferenças" não terminaremos melhor do que quem resolveu viver despretenciosamente e sem tentar fazer nada de diferente ou melhor. Claro que são propostas diferentes que fazem a vida de alguém mais ou menos feliz, dependendo de quem é dono dessa vida, mas entender isso muda uma coisa que ninguém vê em nós e que é a nossa postura como seres diante das pessoas de do mundo.
A nobreza de escolher por tanto de nós mesmos na nossa vida sabendo que ela é pequena, finita e insignificante representa uma das melhores coisas na nossa raça. É lindo, é humano demais, é lindo.
É escolher explorar essa máquina que é a capacidade cognitiva e a fisiológica por puro empirismo científico. Ver o que a natureza criou e de que somos capazes. Se o futuro não carrega nossa existência, pois então que seja esse o tempo em que a nossa consciência a carrega, e pra mim já é um sentido pra isso tudo no meio de tanta coisa que as pessoas acreditam e que não procedem no meu ponto de vista. Porque o real desafio é achar sentido antes de todas essas coisas que acreditamos ou achamos que entendemos.
E tentando teorizar isso parece difícil demais pra fazer a pena, mas acho que a concepção dessas ideias fortalecem ainda mais a proposta de uma vida leve e simples.
As vezes me sinto inútil tentando escrever isso aqui. Queria me desintegrar em amor e ser distribuída, seria útil assim. E me realizaria tbm. Já sei o que pedir pro gênio, finalmente.
Mas dai eu lembro que somos criaturas adoráveis, apesar de tudo.
Nossa consciência é a culpada pelo melhor e pior da vida. Pelas perguntas sem fim e conclusões decepcionantes e pela capacidade de perceber a autenticidade e força da nossa energia interior. Nosso toque sensível e especial pras emoções passíveis de serem sentidas, nossa coloração pessoal pras abstrações do mundo e "aquilo" que ainda não sei como chamar mas preciso de um nome especial porque é fantástico. "Aquilo" que vem as vezes parecendo um canal de saída pro que tem acumulado e ao mesmo tempo que sai nos preenche, que acende em nós do peito pro resto do corpo e mente e nos dá a certeza de que ali, dentro de nós, alguma coisa especial ta rolando. E é especial absolutamente porque é sim, porque é sentido e é vida. Não porque somos alguma coisa, ou porque alguém vai lembrar ou SABER. Pode ser que ninguém saiba a explosão de vida que acontece todas as tardes naquele quarto, daquela menina que parece não ser nada demais, naquela cidade enorme cheia de gente.
Eu amo a arte. A expressão da vida. A arte pouca que pode ser passar maionese na torrada com inspiração, ou a arte muita que pode ser a concepção de uma música. Nem mais nem menos expressivas, talvez mais ou menos abrangentes e com certeza diferentes.
To tentando me desvincular de algumas concepções. Só quero que meu tempo aqui não seja ruim. Nem o das pessoas.
Resolvi escrever tudo junto coisas que vieram separadas na cabeça. Sempre uma bagunça você em, Laura.
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